Como precificar a mensalidade da assessoria de corrida

Quanto cobrar na assessoria de corrida: a conta do dono, com custo fixo, custo por atleta, comissão, imposto, margem e a fórmula do preço mínimo.

Gabriel Monteiro 9 min de leitura

Para saber quanto cobrar na assessoria de corrida, você soma os custos fixos do mês, divide pelo número de atletas, acrescenta o que cada atleta custa a mais (comissão, taxa do meio de pagamento, imposto) e a margem que quer ter. O resultado é o preço mínimo da mensalidade. Abaixo dele, cada atleta novo traz trabalho sem trazer lucro.

Quase tudo o que se escreve sobre preço de assessoria de corrida responde à dúvida do atleta que está comparando opções. Aqui a conta é a do dono da assessoria: de onde sai o número, o que ele precisa pagar e o que sobra no fim do mês. Se você ainda está estruturando o negócio, o guia de como montar uma assessoria de corrida cobre os passos anteriores.

O que entra no preço da mensalidade?

A mensalidade da assessoria de corrida precisa cobrir três partes. A primeira é o custo fixo, que existe mesmo que nenhum atleta novo entre. A segunda é o custo variável, que cresce a cada atleta. A terceira é a margem, a parte que remunera o risco do negócio e permite investir.

Muita assessoria nasce com o preço definido pela intuição: o que parecia justo, o que o mercado aceitava, o que o treinador cobrava quando dava aula avulsa. Funciona enquanto a base é pequena e o dono faz tudo. Quando entram técnicos, espaço alugado e contador, a intuição deixa de fechar a conta. Treinar bem e gerir bem são trabalhos diferentes, e o preço é o ponto em que os dois se encontram.

Quais são os custos fixos da assessoria?

Custo fixo é tudo o que você paga no mês, tenha a assessoria 50 ou 90 atletas. Os mais comuns:

  • Local. Aluguel de sala, taxa de uso de pista, parque ou clube, box de apoio.
  • Equipamento. Cones, cronômetros, tenda, som, reposição do que quebra. Divida o valor de compra pelos meses de uso para chegar ao custo mensal.
  • Contador. Honorário mensal do escritório de contabilidade.
  • Sistema de gestão. Cobrança, contratos, financeiro e emissão de nota.
  • Marketing. Anúncio, fotografia, material de evento.
  • Seu pró-labore. O salário do dono. É o custo mais esquecido e o que mais distorce o preço. Se ele fica fora da conta, a assessoria parece lucrativa porque você trabalha de graça.
  • Outros. Telefone, internet, seguro, tarifas bancárias fixas.

Some tudo e divida pelo número de atletas ativos. Esse é o custo fixo por atleta. Ele cai à medida que a base cresce, e é por isso que a assessoria pequena tem margem apertada mesmo quando cobra bem.

Quanto custa cada atleta a mais?

Custo variável é o que aparece junto com cada atleta. Em assessoria esportiva, a maior parte dele acompanha o valor da mensalidade, e por isso faz sentido tratá-lo em percentual:

  • Comissão do técnico. Se o técnico recebe um percentual da mensalidade, esse percentual sai de cada cobrança. Se ele recebe por hora, converta: as horas dedicadas a cada atleta no mês vezes o valor da hora dão o custo em reais por atleta.
  • Taxa do meio de pagamento. Pix, boleto e cartão têm custos diferentes, e o cartão parcelado costuma custar mais. Use a taxa do seu contrato, não a média que alguém comentou no grupo.
  • Imposto sobre a receita. O percentual depende do regime tributário e da atividade. Quem define é o seu contador.
  • Itens incluídos no plano. Se a mensalidade inclui camiseta, kit ou inscrição em prova, divida o custo pelos meses do plano e some.

Qual é a fórmula do preço mínimo?

Com os custos separados, a fórmula do preço mínimo da mensalidade é:

Preço mínimo = (custo fixo por atleta + custo variável em reais por atleta) ÷ (1 − comissão − taxa − imposto − margem)

Os percentuais entram em forma decimal: 30% vira 0,30. O divisor existe porque comissão, taxa e imposto incidem sobre o próprio preço. Se você apenas somar os percentuais ao custo, o preço sai baixo, e a diferença desaparece no fim do mês sem que você perceba onde.

Conta hipotética: uma assessoria com 80 atletas

Imagine uma assessoria de corrida com 80 atletas ativos. Os valores abaixo são ilustrativos. Troque cada linha pelo número da sua operação.

Custo fixo mensal (hipotético)Valor
Local (pista e sala de apoio)R$ 2.000
Equipamento (reposição mensal)R$ 300
ContadorR$ 600
Sistema de gestãoR$ 369
MarketingR$ 500
Pró-labore do donoR$ 6.000
Outros (telefone, internet, seguro)R$ 231
TotalR$ 10.000

O sistema de gestão entrou pelo valor do plano Standard da Coach Link, para 51 a 150 atletas, que está na página de preços. O custo fixo por atleta é R$ 10.000 ÷ 80 = R$ 125.

Custo variável e margem (hipotéticos)Percentual
Comissão do técnico30%
Taxa do meio de pagamento3%
Imposto sobre a receita6%
Margem desejada15%
Soma54%

Preço mínimo: R$ 125 ÷ (1 − 0,54) = R$ 125 ÷ 0,46 = R$ 271,74. Arredondando, a mensalidade fica em R$ 280.

A conferência mostra se o número fecha:

Mês com 80 atletas a R$ 280 (hipotético)Valor
Receita (80 x R$ 280)R$ 22.400
Comissão (30%)− R$ 6.720
Taxa do meio de pagamento (3%)− R$ 672
Imposto (6%)− R$ 1.344
Custos fixos, com pró-labore− R$ 10.000
SobraR$ 3.664 (16,4% da receita)

A sobra passa um pouco dos 15% pedidos por causa do arredondamento. Agora repita a conta com 60 atletas e o mesmo preço: o custo fixo por atleta sobe para R$ 166,67 e a sobra do mês cai para R$ 248, cerca de 1,5% da receita. Com 60 atletas, R$ 280 paga as contas, mas quase não deixa margem.

Plano presencial, online e híbrido custam o mesmo?

Não. Cada formato distribui o custo de um jeito, e o preço precisa refletir isso.

FormatoOnde está o custoO que observar no preço
PresencialLocal, equipamento e horas do técnico em campo, em horário fixoCusto fixo alto; o preço depende de encher cada turma
OnlineTempo do técnico com cada atleta, a distânciaQuase sem custo de local; o limite é quantos atletas cada técnico acompanha bem
HíbridoUm pouco de cadaPrecisa de conta própria, não da média entre os dois

Um erro frequente é criar o plano online como “o presencial com desconto”. Se o técnico dedica ao atleta online o mesmo tempo que ao presencial, o custo variável é parecido, e o desconto sai da margem. Faça a fórmula separada para cada formato, com a comissão e o tempo de técnico de cada um.

Desconto trimestral e anual: quanto ele custa?

Desconto em plano trimestral, semestral ou anual é uma troca: você abre mão de parte da mensalidade para que o atleta fique mais tempo. A troca pode valer a pena, desde que você saiba o preço dela.

Na conta hipotética acima, a sobra por atleta a R$ 280 é de R$ 45,80. Um desconto de 10% no plano anual leva a mensalidade a R$ 252. Comissão, taxa e imposto caem junto, porque são percentuais, mas o custo fixo por atleta continua em R$ 125. A sobra por atleta vai para R$ 28,72. O desconto de 10% no preço tirou mais de um terço da margem.

Antes de oferecer o desconto, responda três perguntas:

  1. O atleta paga antes? Se o plano anual é pago em 12 parcelas, você dá o desconto sem receber nada adiantado.
  2. Quanto tempo o atleta costuma ficar? Se a maior parte da sua base já passa de um ano na assessoria, o desconto paga por algo que você já teria.
  3. O que acontece se ele sair no meio? Sem regra de cancelamento escrita no contrato, o desconto do plano longo vira desconto de plano mensal.

Quais são os erros mais comuns na hora de precificar?

  • Copiar o preço do vizinho. A assessoria do outro lado do parque tem outro custo de local, outra comissão e outro número de atletas. O preço dela fecha a conta dela.
  • Esquecer comissão e imposto. Somar só os custos fixos e tratar o resto como lucro. Na conta hipotética acima, comissão, taxa e imposto levam 39% de cada mensalidade antes de qualquer custo fixo ser pago.
  • Deixar o pró-labore de fora. O preço parece bom porque o dono trabalha sem salário.
  • Ignorar a inadimplência. Mensalidade que não é paga não entra na receita, mas o custo fixo continua o mesmo.
  • Nunca reajustar. Aluguel, contador e remuneração do técnico sobem com o tempo. Mensalidade parada por três anos é um corte de margem que ninguém decidiu.

Quando reajustar a mensalidade?

Reajuste funciona melhor quando é previsível, para o atleta e para você. Algumas práticas ajudam:

  • Uma data fixa por ano, a mesma para toda a base, ou o aniversário de cada contrato.
  • Previsão no contrato. O atleta assina sabendo que existe reajuste e como ele é calculado. Para a redação da cláusula, vale conversar com um advogado.
  • Aviso com antecedência, por escrito, com o valor novo e a data em que ele passa a valer.
  • Refazer a fórmula antes de decidir o percentual. Se o aluguel subiu, se entrou um técnico novo ou se a comissão mudou, o preço mínimo mudou junto.

Quem nunca reajustou e está muito abaixo do preço mínimo pode fazer a correção em etapas e aplicar o preço cheio para quem entra a partir de agora.

A Coach Link, sistema de gestão para assessorias esportivas de endurance, guarda cada plano com modalidade, periodicidade, valor e comissão padrão. A comissão pode ser definida por nível, por técnico e por contrato, e é apurada no fechamento do mês. O financeiro mostra cada recebimento decomposto em valor bruto, taxas e líquido, e o analytics mostra receita, inadimplência e ticket médio por período, modalidade e técnico, que são os números que alimentam a fórmula. Quando chega a hora do reajuste, ele pode ser agendado para os contratos ativos.

Os planos da Coach Link começam em R$ 219 por mês para até 50 atletas, com 14 dias de teste e sem fidelidade. Os valores de cada faixa estão na página de preços.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar de mensalidade na assessoria de corrida?

Não existe um valor certo para todas. O preço mínimo sai da conta da sua operação: custo fixo por atleta mais custo variável em reais, dividido por um menos a soma de comissão, taxa do meio de pagamento, imposto e margem. Abaixo desse número, cada atleta novo aumenta o trabalho sem aumentar o lucro. Acima dele, o limite é o que o seu público aceita pagar.

O pró-labore do dono entra no custo da assessoria?

Entra, como custo fixo. Sem ele, a conta mostra lucro porque o dono da assessoria trabalha sem salário. Defina um valor mensal realista para o seu trabalho de treino e de gestão, some aos outros custos fixos e divida pelo número de atletas. Se o preço resultante parecer alto, a questão é de escala ou de custo, não de esconder o seu salário.

Vale a pena dar desconto no plano anual da assessoria?

Vale quando o desconto compra algo que você não teria: pagamento adiantado ou um atleta que ficaria menos tempo. Como comissão, taxa e imposto são percentuais e o custo fixo não muda, um desconto de 10% no preço pode cortar bem mais de 10% da margem. Faça a conta da sobra por atleta com e sem desconto antes de oferecer.

Plano online deve ser mais barato que o presencial?

Depende de onde está o custo. O plano online quase não tem custo de local, mas o tempo do técnico com cada atleta continua existindo. Se o técnico dedica ao atleta online o mesmo tempo que ao presencial, o custo variável é parecido, e um desconto grande sai da margem. Faça a fórmula do preço mínimo separada para cada formato.

De quanto em quanto tempo reajustar a mensalidade da assessoria?

Uma vez por ano, numa data fixa ou no aniversário de cada contrato, é o ritmo mais previsível para o atleta e para o caixa. O reajuste deve estar previsto no contrato e ser avisado com antecedência, por escrito. Antes de decidir o percentual, refaça a conta do preço mínimo com os custos atualizados do ano.

Conversar no WhatsApp